Leonardo dos Santos Pires, de 34 anos, possui mais de 245 anos em condenações — Foto: Reprodução
A Justiça de Mato Grosso rejeitou, por unanimidade, os recursos do Ministério Público Estadual (MPE) e do Ministério Público Federal (MPF), e manteve a decisão de retirar Leonardo dos Santos Pires, conhecido como “Sapateiro” ou “Maresias”, do sistema penitenciário federal. Com isso, o detento, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho na região norte do estado, deve retornar para Mato Grosso num presídio comum, conforme pedido da defesa. A decisão foi assinada na última sexta-feira (15).
Leonardo possui mais de 245 anos em condenações por dezenas de crimes, entre eles os assassinatos de uma adolescente grávida, um ex-jogador de futebol e um comerciante. Atualmente, resta 218 anos de prisão a serem cumpridos.
Em 2025, Leonardo estava cumprindo pena em uma ala de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. À época, a Justiça determinou a transferência para um presídio federal no Paraná devido à periculosidade do criminoso e dos crimes ordenados por ele de dentro da penitenciária.
O magistrado Rui Ramos Ribeiro, da 5ª Vara da Comarca de Sinop, destacou dois fatores principais para negar o recurso da acusação e manter o detento fora do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) federal:
Segundo a Polícia Civil, a maior parte dos inquéritos envolvendo Leonardo foram de crimes cometidos em Sinop, a 503 km de Cuiabá.
No ano passado, ele foi alvo da Operação Follow The Money, que investigava lavagem de dinheiro e tráfico de drogas no município.
Em 2019, o comerciante Luiz Ney da Silva, de 54 anos, foi morto a tiros dentro do próprio estabelecimento.
Segundo a polícia, testemunhas disseram que dois homens estacionaram uma motocicleta do outro lado da rua do mercado. Eles atravessaram, foram até o mercado e fizeram os disparos contra Luiz. Em seguida a dupla fugiu.
Em 2023, Leonardo e Viner dos Santos Alves foram condenados por homicídio duplamente qualificado e por associação criminosa armada. As penas aplicadas foram de 32 anos de reclusão e 25 dias-multa para Pires; e 14 anos, seis meses e 15 dias de reclusão e 15 dias-multa para Alves.
De acordo com o MPMT, a ordem para execução partiu de Leonardo, que estava recolhido na PCE, na época.
Leonardo também ordenou a morte de Guilherme Felipe Oliveira de Moura, de 22 anos, que acabou resultando na morte da companheira de Guilherme, Marina Azevedo Campos, de 17 anos, que estava grávida e foi atingida cinco vezes durante uma troca de tiros, em julho de 2022.
Conforme a investigação, o alvo era Guilherme. Marina foi encontrada na cama do casal e Guilherme na cozinha da casa. Pelo duplo homicídio, Leonardo foi condenado a 42 anos de prisão.
Em setembro de 2021, o ex-jogador de futebol Willian Santana, de 21 anos, foi sequestrado a caminho de uma festa de casamento e encontrado morto no dia seguinte, perto de um rio na BR-163, em Sinop.
Segundo a Polícia Militar, ele foi morto a tiros. Suspeitos confessaram à polícia que Willian foi assassinado a mando de uma facção criminosa que o acusava de ter praticado um suposto estupro, fato que não foi comprovado na investigação.
Willian foi zagueiro do Sinop Futebol Clube entre 2018 e 2021.
Três homens e duas mulheres, além do mandante do crime, foram presos. Em novembro de 2023, o grupo foi julgado e recebeu penas que somam 122 anos de prisão. Leonardo teve a maior condenação, de 40 anos de prisão.
Leonardo foi preso pela primeira vez por um roubo ocorrido em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá.
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