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Fiemt recebe empresa americana de silos que quer investir em Mato Grosso

Mato Grosso planta cada vez mais e continua sem espaço para guardar o que colhe. É esse contraste, o de um estado que lidera a produção nacional de grãos, mas convive com um dos maiores gargalos logísticos do agronegócio brasileiro, que levou uma companhia americana especializada em silos e armazéns até a sede da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), em Cuiabá. A empresa, sediada no estado de Iowa, um dos principais polos agrícolas dos Estados Unidos, está interessada em instalar no estado uma unidade fabril voltada à produção de estruturas metálicas para silos e armazéns.

A visita, recebida pela diretoria da Fiemt e pela equipe do Observatório de Mato Grosso. núcleo de inteligência de negócios e análise de dados do sistema federativo, marca mais um capítulo do movimento de empresas estrangeiras que enxergam no estado uma fronteira ainda pouco explorada da cadeia de armazenagem agrícola. Durante o encontro, a Federação apresentou um raio-x da economia mato-grossense, reunindo dados que ajudam a explicar por que o estado desperta esse tipo de interesse e por que ele precisa dele com urgência.

No campo, Mato Grosso consolidou sua liderança nacional na produção de grãos e na geração de biocombustíveis. Na última década, a produção de soja cresceu 96,45%, garantindo ao estado uma participação de quase 29% da produção nacional. O milho apresentou um avanço ainda mais expressivo, com alta de 257,5% no mesmo período, fazendo com que Mato Grosso responda atualmente por quase 39% de todo o milho produzido no Brasil.

Esse desempenho impulsiona a agroindustrialização e fortalece a posição do estado na produção de energias renováveis. Mato Grosso já é o segundo maior produtor de etanol do país e lidera a produção nacional de etanol de milho, matéria-prima que representa 87% do insumo utilizado nas usinas instaladas no estado. Na cadeia da soja, o destaque é a produção de biodiesel: em 2025, as indústrias mato-grossenses produziram cerca de 2,3 bilhões de litros do biocombustível, volume aproximadamente 15% superior ao registrado em 2024, consolidando Mato Grosso como o segundo maior produtor de biodiesel do Brasil.

O superintendente da Fiemt, Lucas Barros, destaca que o estado já é referência mundial quando o assunto é produção agrícola, mas que esse avanço precisa ser acompanhado por investimentos em infraestrutura. “Hoje, um dos nossos maiores desafios é a armazenagem. Produzimos mais do que conseguimos armazenar, o que gera custos, reduz competitividade e limita o potencial de crescimento da cadeia produtiva. A visita dessa empresa demonstra que o mercado internacional enxerga as oportunidades que existem em Mato Grosso. Para a Fiemt, atrair indústrias que agreguem valor, gerem empregos e ajudem a superar gargalos históricos é estratégico para fortalecer o desenvolvimento do estado e ampliar a competitividade do agronegócio e da indústria mato-grossense.”

O outro lado da moeda: falta espaço para guardar a colheita

É justamente esse apetite por crescer que expõe a fragilidade que atrai e ao mesmo tempo pressiona investidores como a empresa de Lowa. Segundo os dados apresentados pela Fiemt, com base em levantamento do IBGE e do Sistema de Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras da Conab, o déficit de armazenagem atinge 126 municípios mato-grossenses. Em 105 deles, a capacidade instalada cobre menos da metade do volume que sai da lavoura; em 35 municípios, o problema é radical: não existe nenhuma estrutura de armazenagem disponível, um déficit de 100%.

No total, considerando apenas a produção de milho e soja de 2023, o estado deixou de ter capacidade para guardar 42,3 milhões de toneladas de grãos, volume que, na prática, empurra parte da safra para armazenagem improvisada, aumenta a dependência de escoamento imediato e pressiona custos logísticos em toda a cadeia.

A distribuição da infraestrutura hoje existente também é desigual. Sorriso, um dos maiores polos agrícolas do estado, concentra sozinho 256 armazéns — cerca de 9,3% de todas as unidades mato-grossenses —, e os cinco municípios com maior número de estruturas reúnem juntos quase 30% do total estadual. Fora desses polos, a realidade é bem mais escassa.

Fonte: Fiemt