A Justiça de Mato Grosso determinou o afastamento do policial civil Jeovanio Vidal Gribiel após ser condenado a oito anos de prisão por estupro e vulnerável contra uma colega de trabalho em 2022. — Foto: Reprodução
O policial civil afastado Jeovanio Vidal Gribiel, condenado a oito anos de prisão por estupro de vulnerável contra uma colega de trabalho, entrou com um pedido de habeas corpus contra uma decisão da Justiça de primeira instância. Em decisão liminar, o Tribunal suspendeu parte das medidas cautelares impostas a ele na última terça-feira (4).
A reportagem tentou localizar a defesa de Jeovanio, mas não havia conseguido até a última atualização desta reportagem.
O crime ocorreu em novembro de 2022, em Goiânia, durante uma viagem de trabalho. Na época, o policial teria colocado uma substância na bebida da colega e cometido os abusos enquanto ela estava sob efeito da droga e sem condições de reagir.
Na decisão de 11 de junho, a juíza Henriqueta Fernanda Lima determinou algumas medidas cautelares, entre elas o afastamento de Jeovanio do cargo, a proibição de contato com a vítima, a suspensão do porte de arma e o pagamento de acompanhamento psicológico especializado para a vítima.
Ao analisar o habeas corpus, o Tribunal manteve as medidas determinadas pela primeira instância, mas retirou apenas a obrigação de Jeovanio pagar pelo tratamento da vítima.
A defesa de Jeovanio também apresentou, pelo sistema Sigadoc, um pedido para afastar a vítima, que também é policial civil, das funções. Para isso, usou um atestado médico psiquiátrico da vítima. O pedido foi negado pelo setor de Gestão de Pessoas. Em seguida, a defesa fez a mesma solicitação à Corregedoria da Polícia Civil, que também negou.
Em depoimento, a vítima relatou que chegou a despertar durante os abusos e pediu mais de uma vez para que o policial parasse. Ainda assim, segundo o relato, ele teria continuado com as agressões.
Além da condenação, a Justiça determinou uma série de medidas para proteger a vítima e evitar qualquer contato com o policial. As decisões foram estabelecidas após a análise do caso e passam a valer imediatamente.
Entre as medidas determinadas na época estavam:
Na decisão, a Justiça destacou ainda a necessidade de garantir a segurança da vítima e impedir qualquer situação que possa resultar em intimidação, constrangimento ou revitimização durante o cumprimento das medidas.
O policial civil também é investigado pela morte de João Antônio Pinto, de 87 anos, ocorrida em 23 de fevereiro de 2024, na região do Contorno Leste, em Cuiabá. O idoso morreu durante uma abordagem policial que envolveu agentes da corporação. João era o suposto dono de uma terra que havia sido ocupada por invasores em 2023.
Em 2024, o delegado responsável entendeu que houve legítima defesa, não indiciou o policial investigado. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), no entanto, discordou da conclusão e pediu a continuidade das investigações. Segundo o órgão, ainda havia diligências pendentes consideradas importantes para o esclarecimento dos fatos.
O processo tramita em segredo de Justiça desde janeiro de 2025.
O aplicativo ‘SOS Mulher MT’ é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva.
O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis.
Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.
A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo a Lei, a violência doméstica contra a mulher envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer algum tipo de violência apenas pelo fato de ser mulher.
O Instituto Maria da Penha aponta que essa violência pode ser dos seguintes tipos:
As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade. São dois tipos: as voltadas para o agressor, para impedir que ele se aproxime da vítima; e as voltadas para a vítima, para garantir a sua segurança e a proteção dos seus bens e da sua família.
Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar, independente do tipo de ameaça, lesão ou omissão.
A solicitação da medida protetiva pode ser feita em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública. A mulher não precisa estar acompanhada de um advogado para fazer o pedido.
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