Lorrayne dos Reis Correia, de 28 anos, encontrada morta com seu atual namorado no último domingo (13) , era natural de Ariquemes (RO) e morava em Aripuanã, a 976 km de Cuiabá, havia cerca de quatro anos. O principal suspeito da morte do casal é o ex namorado da vítima, Júlio Moreira dos Santos.
A imprensa familiares contaram que Lorrayne era muito trabalhadora e havia se mudado para Mato Grosso para trabalhar em uma serraria da região. A prima da vítima, Letícia Paradela, afirmou que Lorrayne fazia de tudo para sustentar os três filhos, que moravam em Ariquemes com a avó materna.
“Ela trabalhava na serraria, fazia várias coisas: estopadeira, serrar fita, tudo ela fazia. Trabalhava muito pra dar os sustos dos 3 filhos pequenos: Arthur, de 8 anos, João, de 7, e Gabriel de 10 anos”, afirmou a prima.
Segundo Letícia, Lorrayne não costumava falar muito sobre os relacionamentos com a família. Por isso, os parentes não conheciam o suspeito do crime.
“A gente nem sabia que esse homem existia. [Eles namoraram] por pouco tempo, não chegaram nem a morar juntos”, contou.
Segundo a prima, a notícia da morte de Lorrayne surpreendeu a família e abalou os três filhos da vítima. Os familiares criaram uma campanha de doação online para arrecadar dinheiro para o traslado do corpo até Rondônia, onde será realizado o sepultamento.
“Ninguém esperava essa tragédia, estamos em choque. O filho dela, o Gabriel, chora muito toda hora. Ela era muito trabalhadeira, sempre fazendo todos feliz por onde ela passou”, contou a prima.
Entenda o caso
Lorrayne foi encontrada morta neste domingo (13) junto com Marcos Willian Richieri Pereira, de 36 anos. Segundo a Polícia Civil, o suspeito, de 39 anos, é ex-namorado de Lorrayne e o crime foi registrado como feminicídio.
Os dois foram encontrados após um amigo do casal foi até a casa de Lorrayne depois de ver o carro de Marcos estacionado no local. Ele chamou pelo amigo, mas não teve resposta e acionou a Polícia Militar.
Segundo a testemunha, o casal estava em uma festa na noite anterior. Durante o evento, Lorrayne e o suspeito teriam discutido, e ele teria feito ameaças de morte contra ela. Depois da discussão, o casal e outros dois amigos deixaram a festa e seguiram para a residência.
Um amigo do casal foi até a casa de Lorrayne depois de ver o carro de Marcos estacionado no local. Ele chamou pelo amigo, mas não teve resposta e acionou a Polícia Militar.
Os policiais foram até a residência e também não conseguiram contato com o casal. Ao perceberem que a porta dos fundos estava arrombada, entraram no imóvel e encontraram Marcos e Lorrayne mortos em um dos quartos, com sinais de disparos de arma de fogo na cabeça.
Após o crime, os policiais fizeram buscas pelo suspeito e o encontraram em uma casa. Aos policiais, o homem afirmou que sua ex, Lorrayne, o teria humilhado pela cidade e que essa seria a motivação do crime. Ele foi encaminhado para a delegacia.
O caso é investigado pela Polícia Civil.
O aplicativo ‘SOS Mulher MT’ é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva.
O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis.
Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.
A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo a Lei, a violência doméstica contra a mulher envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer algum tipo de violência apenas pelo fato de ser mulher.
O Instituto Maria da Penha aponta que essa violência pode ser dos seguintes tipos:
As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade. São dois tipos: as voltadas para o agressor, para impedir que ele se aproxime da vítima; e as voltadas para a vítima, para garantir a sua segurança e a proteção dos seus bens e da sua família.
Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar, independente do tipo de ameaça, lesão ou omissão.
A solicitação da medida protetiva pode ser feita em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública. A mulher não precisa estar acompanhada de um advogado para fazer o pedido.
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