Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como intermediador de vendas de sentenças em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, é empresário e atuava também como lobista no judiciário. Ele foi preso em novembro de 2024, mas teve a prisão domiciliar concedida pela Justiça na sexta-feira (17) devido ao estado crítico de saúde e aparência esquelética (entenda mais abaixo).
Andreson é dono de empresas no ramo de transporte em vários estados do país e levava uma vida discreta, sem redes sociais. Em 2022, ele foi denunciado por violência doméstica, mas o caso foi arquivado no ano seguinte, pois a vítima não quis seguir com o processo.
O nome do empresário veio à público após ele ser alvo das Operações Ultima Ratio e Sisamnes, que afastou magistrados nos dois estados e apontou o lobista como uma peça importante para o esquema.
A reportagem tentou localizar a defesa do lobista, mas não tinha conseguido até a última atualização desta reportagem.
As investigações começaram em agosto de 2024, após mensagens no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em 2023, levantarem a suspeita de venda de decisões e levarem ao afastamento dos desembargadores de Mato Grosso, Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho.
Pelas conversas, a Polícia Federal apontou que o lobista seria um dos responsáveis por aproximar o advogado de Sebastião e João. Na operação Siamnes, a polícia prendeu Andreson e vasculhou a casa dos magistrados, que agora são monitorados por tornozeleira eletrônica.
Já na Operação Ultima Ratio cinco desembargadores de Mato Grosso do Sul foram afastados da função, e Andreson foi alvo novamente de busca e apreensão.
Segundo a defesa, Andreson passou por uma cirurgia em 2020 chamada gastrectomia vertical com interposição ileal, procedimento que envolve a retirada de parte do intestino e altera significativamente a digestão e absorção de alimentos. Em fevereiro de 2025, enquanto estava na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, ele solicitou na Justiça o direito a uma alimentação especial, adequada à sua condição de saúde.
A defesa alega que ele teve crises dentro da unidade, com o psicológico comprometido e perda de peso, devido a uma alimentação inadequada e falta de contato com a família.
Na ocasião, a Justiça de Mato Grosso autorizou a entrega de refeições específicas três vezes por semana. Entre os itens autorizados estavam carne assada, atum, chocolates e outros alimentos compatíveis com sua dieta (veja a lista completa).
No entanto, oito meses após a prisão, imagens da perícia mostram o lobista visivelmente debilitado, com aparência esquelética. Ele estava detido em um presídio federal no Distrito Federal e agora deverá cumprir prisão domiciliar em Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá.
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