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Parceria entre bombeiros e comunidade reduz focos de calor em 95% no Pantanal

Entre as estratégias usadas estão a conscientização e a educação ambiental, com foco em prevenção e monitoramento

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) tem intensificado a parceria com comunidades rurais do Pantanal, o que tem contribuído para a preservação do bioma. Como resultado dessa atuação conjunta, com ênfase na prevenção, os focos de calor na região apresentaram redução de 95,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre o início do período proibitivo para o uso do fogo no Pantanal, em 1º de junho, e a primeira quinzena de setembro deste ano, foram registrados 113 focos ativos de calor, segundo dados do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com base no satélite Aqua Tarde. No período proibitivo em 2024, foram contabilizados 2.697 focos.

Entre as estratégias usadas pelo Corpo de Bombeiros com a comunidade estão a conscientização e a educação ambiental, com foco em prevenção e monitoramento. A instalação da Sala de Situação Descentralizada do Pantanal, em Poconé, com satélites em tempo real, também tem contribuído para agilizar as ações de combate.

De acordo com o capitão BM Adilson de Arruda, comandante do 1º Pelotão Independente Bombeiro Militar, em Poconé, a atuação nas áreas rurais inclui visitas técnicas, capacitações e orientações sobre a construção de aceiros nas propriedades rurais.

Esses aceiros devem ter entre 20 e 40 metros de largura, enquanto nas divisas entre propriedades, cada imóvel é responsável por construir seu próprio aceiro, com largura mínima de 10 metros e máxima de 20 metros. A medida é obrigatória e tem como objetivo conter a propagação dos incêndios florestais.

“Se porventura o fogo vier, além de proteger a propriedade, o aceiro facilita nosso acesso com as viaturas e permite um combate direto mais rápido”, explicou o capitão.

E essas orientações já são colocadas em prática. O pecuarista Cléber Alves, cuja propriedade foi atingida pelos incêndios em 2020, contou que a experiência serviu de alerta. Na época, ele mesmo teve que ajudar no combate ao fogo para evitar prejuízos. “Às vezes a gente olhava assim e falava: ah, só um fogo aqui não vai dar em nada. Mas se você perder o controle nessa época que estamos, é complicado depois de controlar”, relatou.

O produtor rural Manoel Rodrigues, que há seis anos cultiva hortaliças na região, também destacou a importância das orientações recebidas sobre prevenção e resposta a incêndios. “Temos que tomar cuidado nesse período de seca, porque sabemos que qualquer faísca pode gerar um incêndio. E, graças a Deus, este ano praticamente não tivemos focos de incêndio na nossa região”, afirmou.

Já o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), tenente-coronel BM Rafael Ribeiro Marcondes, reforçou que os resultados são fruto do trabalho preventivo realizado não apenas no período proibitivo, mas ao longo de todo o ano.

“Esse trabalho não começa no período. Atuamos durante todo o ano com ações de prevenção, capacitações e articulação com lideranças comunitárias. Quando chega a estiagem, já temos uma base que permite respostas rápidas e efetivas. A redução dos focos de calor é resultado direto desse esforço coletivo”, destacou Marcondes.

Os bombeiros também utilizam o Sistema Integrado de Cadastro de Recursos para Apoio aos Incêndios Florestais (SICRAIF), que permite a mobilização rápida e eficaz da estrutura de combate aos incêndios florestais, em parceria com as comunidades. O sistema já conta com aproximadamente oito mil recursos cadastrados em todo Estado.

Investimentos

Neste ano, está sendo destinado o investimento de R$ 125 milhões do Governo de Mato Grosso para ações de combate aos incêndios florestais e desmatamento ilegal em todo o território mato-grossense.

Em todo Estado, o Corpo de Bombeiros dispõe de efetivo de 1.420 bombeiros militares, com reforço de 150 brigadistas estaduais temporários e 100 brigadistas municipais. A corporação também conta com 80 viaturas especializadas no combate a incêndios florestais e oito aeronaves, que podem operar simultaneamente. Também estão em uso maquinário, aeronaves, brigadistas e diversos recursos em conjunto com parceiros.

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