A produção de etanol de milho em Mato Grosso alcançou um novo patamar na safra 2024/2025, com 5,6 bilhões de litros produzidos, o equivalente a cerca de 70% de todo o volume nacional. O resultado reforça o protagonismo do estado no setor e evidencia uma transformação estrutural na cadeia produtiva do milho.
O tema foi destaque na 3ª Conferência Internacional UNEM Datagro, realizada em Cuiabá na quinta-feira (16), reunindo representantes do agronegócio, investidores e autoridades públicas. O encontro serviu para consolidar o cenário de crescimento e discutir as perspectivas de expansão da atividade nos próximos anos.
O avanço da produção está diretamente ligado à ampliação do parque industrial. Atualmente, o estado conta com 17 usinas de biocombustíveis em funcionamento, sendo nove voltadas exclusivamente ao milho e outras três operando no modelo flex, que também utiliza cana-de-açúcar. Esse movimento tem permitido que Mato Grosso deixe de exportar matéria-prima e passe a agregar valor à produção local.
Durante o evento, o governador Otaviano Pivetta destacou que a industrialização do milho representa um marco para a economia estadual. Segundo ele, desde a instalação da primeira usina, em 2017, o setor tem contribuído para ampliar oportunidades de comercialização interna, além de gerar empregos e fortalecer a arrecadação.
A expectativa é de continuidade no crescimento. Projeções apontam que a moagem de milho pode atingir 26,8 milhões de toneladas na safra 2026/2027, um aumento superior a 19% em relação ao ciclo anterior. O avanço deve ocorrer com a entrada de novas unidades industriais e a ampliação da capacidade das usinas já existentes.
Para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o etanol de milho se consolidou como um dos principais vetores de desenvolvimento regional. A combinação entre alta produtividade agrícola, disponibilidade de matéria-prima e investimentos em tecnologia sustenta o ritmo de expansão e reforça a posição estratégica do estado.
O cenário internacional também contribui para esse avanço. A valorização do petróleo e as incertezas geopolíticas elevam a importância dos biocombustíveis, tornando o etanol uma alternativa relevante para garantir segurança energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Além do combustível, a cadeia produtiva gera subprodutos com forte impacto econômico, como o DDGS, utilizado na alimentação animal, e a bioeletricidade. Esses elementos ampliam a integração entre agricultura, pecuária e indústria.
Outro fator destacado é o ganho de valor agregado. A industrialização do milho pode elevar o valor do grão em até 100%, impulsionando diferentes segmentos do agronegócio e dinamizando a economia local.
Com esse conjunto de fatores, Mato Grosso fortalece sua posição de liderança no etanol de milho e amplia seu papel como referência nacional em industrialização e bioenergia.




